ic_revista.gif (1282 bytes) Revista de Psiquiatria Consiliar e de Ligação
RESUMOS   Vol. 10 - Nº 2 - Julho 2005   Topo

Editorial

Falar do envelhecimento e dos cuidados necessários nesta fase da vida, é por um lado, dizer quase o óbvio e por outro, enumerar um conjunto de meios que de todo não estão presentes na nossa sociedade. A Psicogeriatria é só uma face do problema porque embora não sendo restritiva e redutora, engloba uma população que adoece, mas deixa de fora necessariamente uma fatia da população que sofre, contudo, não a podemos considerar doente: os abandonados pela família, os carentes de meios, os afectados por doença orgânica e todos os outros cujo denominador comum é a má qualidade de vida. São cidadãos que muitas vezes vão ao médico, consomem cuidados de saúde mas é outra a sua patologia e a necessidade de ajuda põe-se a outro nível.
Estão desmoralizados, às vezes deprimidos, mas a medicina não tem respostas para aliviar o estado de espírito resultante deste tipo de situações.
Os idosos e toda a complexidade de vida desta população carece de uma abordagem diferente, que estrategicamente permita prevenir o adoecer, mobilize as pessoas para uma vida saudável, disponibilize meios e recursos para actuarem antes do eclodir das situações disfuncionantes, articule políticas e actores dos vários departamentos de acção social, de modo a facilitar a vida e a ultrapassar as dificuldades desta gente.
Pensamos que é necessário retomar a ideia de um plano estratégico para a geriatria – Plano Geriátrico Nacional – possibilitando a animação, funcionalidade e saúde dos idosos, dando-lhe oportunidades para levarem uma vida agradável, prevenir-lhe o mais possível as patologias e abrindo as portas dos “armazéns” em que muitos estão depositados.
É obvio que um plano deste tipo não é nenhum “saco mágico”, não vai concerteza responder a todas as necessidades, nem evitar toda a doença mental, mas permite dar aos idosos actividade física, retirá-los do isolamento, facilitar-lhes as relações interpessoais, tornar o acesso aos cuidados de saúde mais fácil, melhorar o relacionamento do idoso com muitas das instituições vocacionadas para o seu auxílio.
Sem esta prévia acção sócio-cultural não é possível dar dignidade à existência na 3ª idade, pelo que toda a geriatria fica desvirtuada e imputada de eficácia na sua acção.
No que diz respeito à psicogeriatria nacional, deve alicerçar-se em três ou quatro unidades de alta especialização, munidas de técnicos e meios susceptíveis de dar resposta aos casos mais difíceis e, ao mesmo tempo, sejam referência de todos os outros profissionais ou instituições direccionadas para a psicogeriatria. No entanto, grande assistência psicogeriátrica deve assentar no médico de família, em que o psiquiatra tem uma acção fundamentalmente de consultadoria e só os casos que requerem cuidados mais especializados devem ser canalizados par as unidades psiquiátricas. Nestas devem funcionar equipas multidisciplinares com profissionais vocacionados para esta área dos cuidados psiquiátricos, com formação adequada e com possibilidades de articulação com outras especialidades médicas, sempre sob a direcção de um psiquiatra com formação específica.
Não nos parece haver vantagens na criação de unidades especializadas em todos os serviços de psiquiatria, antes dotá-los com equipas mais ou menos estáveis, com relação funcional com toda a rede geriátrica e com suficiente mobilidade que lhe permita uma acção de aconselhamento, de atendimento e de formação que de outro modo não é fácil fazer.
É na criação de tal rede, que junte especialistas das várias áreas do saber médico, técnicos de saúde das várias valências, técnicos de serviço social, animadores sociais, instituições de solidariedade social, centros de saúde e hospitais, que nós podemos ajudar o idoso a levar uma vida saudável, facilitar-lhe o apoio nas situações de doença e criar-lhe uma ambiência solidária, por forma a eles poderem passar a sua velhice com alegria e sem o costumado desejo da aproximação da morte.

António Reis Marques


ABORDAGEM DA COMORBILIDADE NO IDOSO INTERNADO

Miguel Martins* & Aucíndio Valente**

Sumário: O internamento de um doente idoso, numa perspectiva holística exige uma avaliação psiquiátrica, mas também médica, cuidadosa.
Neste estudo procurou-se determinar a viabilidade e relevância, de um conjunto de ferramentas simples aplicadas pelo clínico no espaço de uma entrevista inicial do internamento (psiquiátrico), para despiste de comorbilidade e auxílio diagnóstico.
Através de uma entrevista psiquiátrica e médica semi-estruturada, exame físico, despiste laboratorial, neuroimagiológico, da aplicação da Geriatric Depression Scale - GDS e do Mini-Mental State Examination - MMSE, visou-se a obtenção de dados que possibilitassem uma ponderação diagnóstica e terapêutica adequada a um escalão etário com elevado grau de comorbilidade orgânica, com disfunção cognitiva e sintomatologia depressiva frequentemente desvalorizados no contexto psicopatológico exuberante que determina o internamento.

Palavras-chave: Idoso, comorbilidade, internamento psiquiátrico, entrevista semi-estruturada.

* Interno de Psiquiatria, Centro Hospitalar de V.N. de Gaia -CHVNG
** Psiquiatra, Chefe de Serviço, CHVNG


ABORDAGEM PSICOFARMACOLÓGICA NAS DEMÊNCIAS

Ângela Venâncio1 Magda Pereira1 Teresa Salgado2

Resumo: As demências, em especial a de Alzheimer e a vascular, são doenças de elevada prevalência e com consequências socio-económicas graves em todos os países. Nos últimos anos, com o aparecimento de novas abordagens terapêuticas com acção em diferentes neurotransmissores cerebrais, têm surgido modificações no seu tratamento. Embora estes fármacos não travem a progressão da doença, tem sido demonstrado que são úteis nos domínios cognitivo, funcional e comportamental. Este artigo pretende fazer uma revisão dos fármacos disponíveis para o tratamento dos quadros demenciais e concomitantemente sobre os mais indicados para tratamentos dos sintomas comportamentais acompanhantes.

Palavras-chave: Demência; Neurotransmissores; Abordagem terapêutica.

1 Interna Complementar de Psiquiatria do Hospital de Magalhães Lemos
2 Directora do Serviço de Psicogeriatria do Hospital de Magalhães Lemos


GERONTOLOGIA PREVENTIVA

Raul Guimarães Lopes

Resumo: È dada importância à epidemiologia geriátrica e a histórias de vida de idosos “com sucesso” com vista à prevenção e à melhoria da qualidade de vida. São formalizados dez preceitos para o envelhecimento saudável.

Palavras-chave: Epidemiologia; qualidade de vida; prevenção; envelhecer com sucesso; salutogénese; cuidados primários.


O IDOSO E AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS

Silva Martins

Sumário: Toda a psicopatologia do Idoso deve ser interpretada e compreendida, na base da relação Idoso-Meio. Daí a necessidade de ter em conta estes dois elementos na elaboração de qualquer programa de assistência ao Idoso. Daí, também, a necessidade desse programa ser tecnicamente elaborado e executado por equipes pluridisciplinares, lideradas pelo Médico de Família, após formação adequada, deste.

Palavras-chave: Idoso; Dependência; Depressivo; Degenerativa; Meio; Hostilidade; Encargo.


INTERVENÇÃO DOMICILIÁRIA EM PSICOGERIATRIA

Margarida Sotto Mayor, Isabel Varandas
Enfermeiras Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental, Serviço de Psicogeriatria, HML

Oscar Ribeiro
Psicólogo, ICBAS, Universidade do Porto

António Leuschner
Psiquiatra Director do HML

Resumo: A visita domiciliária em Psicogeriatria presta cuidados individualizados de saúde e procura prolongar a permanência do doente em contexto sócio-familiar, prevenindo a sua institucionalização. Equipas multidisciplinares realizam várias actividades de monitorização, direccionadas para o doente e para o cuidador, mas a sua sistematização ainda não é realizada.

Objectivo: Conhecer e sistematizar as principais actividades desenvolvidas pela equipa de Psicogeriatria em contexto domiciliário.

Métodos: Estudou-se uma amostra de idosos seguidos em visita domiciliária na área de atendimento do Serviço de Psicogeriatria do HML entre Janeiro de 2000 e Setembro de 2004. De um universo de 267 idosos foram seleccionados aleatoriamente 134 e procedeu-se a uma análise descritiva do conteúdo dos registos informáticos das visitas domiciliárias realizadas a estes doentes, num total de 403 visitas.

Resultados: Foram identificados três domínios centrais de actuação: (1) avaliação do estado mental, autonomia funcional do idoso, rede comunitária de apoio e estado do cuidador; (2) detecção de situações de risco e reencaminhamento do idoso para outras estruturas de saúde e (3) educação para a saúde.

Conclusões: Os autores expõem a necessidade de uma reflexão em torno das práticas em Psicogeriatria num contexto domiciliário, nomeadamente junto da figura do cuidador, e referem os principais domínios de actuação a incluir num impresso-tipo de monitorização.

Palavras-chave: Psicogeriatria; Multidisciplinaridade, Visita Domiciliária; Cuidadores


VISITA DOMICILIAR
- uma forma de abordagem no tratamento de pacientes em processo demencial1

Ana Elisa Bastos Figueiredo*; Jerson Laks**; Eleonora de Sá e Benevides Muniz***; Elaine Balassiano****.

Resumo: O texto aborda o Projeto de Visita Domiciliar para pacientes portadores de quadros demenciais graves, desenvolvido no Centro para Pessoas com Doença de Alzheimer e outros Transtornos Mentais na Velhice do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e é coordenado por Ana Elisa Bastos Figueiredo. Descreve os objetivos gerais e específicos, os critérios de inclusão e exclusão, a organização da equipe e a organização do atendimento, definidos neste Projeto.

Palavras-chave: visita domiciliar; demência; itinerário terapêutico.

1 Este Projeto é parte integrante da Pesquisa intitulada “Envelhecimento e Fragilidade: aspectos sócio-culturais e itinerário terapêuticos” coordenada pela Dra. Ana Elisa Bastos Figueiredo e desenvolvida no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro-Brasil.

* Assistente Social. Doutora em Ciências da Saúde-IPUB/UFRJ.Coordenadora do Projeto de Visita Domiciliar do Centro para Pessoas com Doença de Alzheimer e outros Transtornos Mentais na Velhice (CDA)
** Médico. Doutor em Psiquiatria - IPUB/UFRJ. Coordenador do CDA.
*** Psicóloga. Especialista em Terapia de Família -IPUB/UFRJ. Estagiária de Pesquisa.
**** Fonoaudióloga. Especialista em Psicogeriatria – IPUB/UFRJ. Estagiária de Pesquisa.


SUBSCRIÇÕES

A Revista de Psiquiatria Consiliar publica dois números por ano, em Maio e Novembro, dois números formam um volume. O preço de cada volume (2005) é para instituições 7,5€, para subscritores privados 5€, cada número 3€.



ENDEREÇO

Revista de Psiquiatria Consiliar e de Ligação
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ISSN 0873-612X

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Última actualização em 2005-10-25